HPV: a IST que a camisinha pode não proteger totalmente

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Prestes a iniciarmos a maior festa popular do país, um alerta precisa ganhar espaço: o uso de preservativo pode não oferecer proteção total contra o HPV. Embora o preservativo seja fundamental para reduzir riscos, ele não cobre todas as áreas onde o vírus pode estar presente.

O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo e pode ser transmitido mesmo quando há uso de preservativo. Isso acontece porque o vírus é passado principalmente pelo contato direto entre pele e mucosas durante o sexo vaginal, anal ou oral, com ou sem penetração, podendo estar presente em áreas não cobertas pela camisinha.

Estima-se que 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida. Entre os homens, os dados são ainda mais expressivos: até 93% dos sexualmente ativos podem ser infectados ao longo da vida, e aproximadamente um terço pode ser portador de ao menos um tipo de HPV genital. Em cerca de um em cada cinco casos, trata-se de tipos de alto risco, associados ao desenvolvimento de câncer.

Apesar de ser frequentemente associado às mulheres, o HPV também afeta de forma significativa a saúde masculina: homens podem ser infectados, transmitir o vírus e desenvolver complicações sem apresentar sintomas, o que pode dificultar o diagnóstico e favorecer a disseminação silenciosa da infecção“, comenta a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil.

O impacto do HPV nos pacientes

Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns são responsáveis pelo surgimento de verrugas genitais, enquanto outros estão relacionados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Globalmente, cerca de 5% de todos os cânceres diagnosticados por ano são atribuíveis ao HPV, o que representa aproximadamente 630 mil novos casos anuais. No Brasil, o câncer de colo do útero é o tipo de câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos. Aproximadamente 99% dos casos de câncer de colo do útero estão relacionados à infecção pelo HPV.

Cânceres de orofaringe e outros tipos de câncer de cabeça e pescoço também estão associados à infecção pelo HPV. Dados do INCA apontam que no Brasil os tumores da cavidade oral estão entre os cinco tipos de câncer mais incidentes entre os homens.

As verrugas genitais estão entre as manifestações mais comuns da infecção e figuram entre as ISTs mais frequentes em homens e mulheres. Cerca de 90% dos casos de verrugas anogenitais são causados pelos tipos 6 e 11 do vírus. As lesões podem provocar coceira, desconforto, sangramento durante a relação sexual e apresentar aspecto semelhante a uma couve-flor. Mesmo após o tratamento, a recorrência é frequente: um estudo dinamarquês mostrou que em cerca de seis a cada dez casos, as verrugas podem reaparecer. Além dos efeitos físicos, o impacto emocional é significativo.

Outro fator que contribui para a complexidade do HPV é sua capacidade de permanecer no organismo por longos períodos sem se manifestar, e tanto homens quanto mulheres podem ser portadores sem saber, aumentando o risco de problemas futuros. A infecção pode reaparecer mesmo em relacionamentos estáveis, e a imunidade adquirida após uma infecção natural pode não oferecer proteção consistente contra outros tipos do vírus. “Isso significa que uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez ao longo da vida“, completa a Dra. Márcia.

A prevenção do HPV, portanto, vai além do uso do preservativo. A vacinação é uma das principais estratégias disponíveis e pode ser realizada entre 9 e 45 anos de idade, tanto na rede privada quanto pelo Sistema Único de Saúde para públicos específicos. Mesmo pessoas que já tiveram contato com o vírus podem se beneficiar da vacinação, já que ela pode proteger contra tipos que ainda não foram adquiridos.

Recentemente, uma pesquisa realizada pela MSD com apoio da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 300 homens, de 20 a 45 anos das cinco regiões do Brasil, revelou que mais da metade dos entrevistados (54%) acredita que o vírus não causa verrugas genitais e apenas 36% deles sabem que a infecção pode levar ao desenvolvimento de câncer, enquanto 45% acreditam que o uso da camisinha é suficiente para prevenir o HPV.

Em períodos de maior exposição, como o Carnaval, o debate ganha ainda mais relevância social. O HPV é uma infecção comum, muitas vezes silenciosa, com impacto direto na saúde de homens e mulheres, e cuja prevenção exige informação, vacinação e rastreamento médico, além do uso da camisinha.

 

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