Uso incorreto de cloro pode liberar gases tóxicos e causar intoxicação grave, alerta especialista

Professora da FEI explica os riscos de combinar produtos de limpeza e orienta como manusear cloro com segurança em casa e em estabelecimentos

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O uso inadequado de produtos à base de cloro pode liberar gases tóxicos e provocar intoxicações graves como reações alérgicas e problemas respiratórios. O alerta ganha ainda mais relevância após o acidente ocorrido em uma academia de São Paulo, no qual a suspeita é de que a mistura indevida de produtos químicos na piscina tenha causado uma fatalidade e deixado outras pessoas hospitalizadas.

A professora Dra. Anna Cristina Baptista Pereira da FEI, Centro Universitário referência em engenharias há 85 anos, explica que o risco está principalmente na falta de conhecimento técnico e na cultura popular de “misturar para limpar melhor”.

“O cloro é um desinfetante de uso geral, considerado um agente bactericida eficiente, mas precisa ser utilizado na proporção correta e para a finalidade adequada. Quando há combinação com outros produtos químicos, o grau de toxicidade aumenta e podem ser liberados gases perigosos”, pontua.

Misturas potencializam risco

Segundo a especialista, um erro comum é combinar diferentes produtos de limpeza no mesmo recipiente, como cloro com água sanitária, desinfetantes, detergentes, sabão em pó, prática bastante difundida em ambientes domésticos.

“No senso comum, existe a ideia de que quanto mais produto químico for colocado no balde, mais eficiente será a limpeza. O cheiro forte, ao contrário do que se pensa, indica excesso de produto e, consequentemente a possível formação de substâncias irritantes, como as cloraminas. Essa mistura pode gerar reações químicas que liberam gases tóxicos, como o cloro gasoso, especialmente em ambientes fechados e sem ventilação adequada, levando a malefícios à saúde e segurança do usuário” explica Anna Cristina.

A exposição pode ocorrer por inalação, contato com a pele ou, em alguns casos, até ingestão acidental, situação possível, por exemplo, em piscinas mal manejadas. “Mesmo produtos vendidos já diluídos, como a água sanitária, devem ser utilizados conforme as orientações do rótulo”.

Uso incorreto de cloro pode liberar gases tóxicos e causar intoxicação grave, alerta especialista

Ambientes fechados agravam situação

A ventilação é um fator decisivo. Em locais fechados, a concentração de vapores aumenta e eleva o risco de intoxicação, principalmente em pessoas com doenças respiratórias. “Indivíduos com quadro respiratório mais sensível, como asmáticos, têm maior suscetibilidade. Crianças e pets também exigem atenção redobrada, tanto pelo perigo de inalação quanto pelo contato ou ingestão acidental”, ressalta Anna Cristina.A professora reforça que, mesmo em casa, o ideal é utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas, óculos de segurança e, quando necessário, máscara adequada. “Não se deve ignorar os riscos por se tratar de uso doméstico. Dermatites de contato e reações alérgicas são relativamente comuns quando há exposição sem proteção”.

O que fazer em caso de intoxicação

Em situações de contato com a pele, a orientação é lavar imediatamente a região afetada com água em abundância. Em caso de inalação, a pessoa deve ser levada para um ambiente ventilado e procurar atendimento médico com urgência. “As instruções constam na ficha de segurança do produto e devem ser seguidas. O atendimento deve ser imediato diante de qualquer sintoma como falta de ar, tontura, irritação intensa ou mal-estar”, orienta a professora.

Armazenamento também é fator de risco

Outro ponto frequentemente negligenciado é o armazenamento inadequado. Produtos devem ser mantidos em locais ventilados, longe do alcance de crianças e animais, preferencialmente em prateleiras altas e identificados corretamente. Vazamentos e mistura acidental entre embalagens também podem gerar reações perigosas. “O desconhecimento dos riscos associados à manipulação de produtos químicos é o principal problema. Informação e prevenção são fundamentais”, finaliza a docente.

Sobre a FEI:

Com mais de oito décadas de tradição, a FEI (Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros) se destaca entre as instituições de Ensino Superior no Brasil nas áreas de Administração, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Inteligência Artificial e Engenharia. Referência em gestão, inovação e tecnologia, a FEI já formou mais de 60 mil profissionais e tem como propósito proporcionar conhecimento aos seus alunos por todos os meios necessários, visando à construção de uma sociedade desenvolvida, humana, sustentável e justa, por meio do ensino, pesquisa e extensão.

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