Mito da ‘mulher guerreira’: Mulheres acumulam múltiplas funções e sentem esgotamento

Cada vez mais presentes em cargos de liderança, à frente de negócios próprios e como protagonistas no mercado de trabalho, as mulheres seguem, ao mesmo tempo, assumindo grande parte das responsabilidades domésticas e familiares. A chamada “jornada múltipla” é uma realidade para milhões de brasileiras, que conciliam o papel de empresárias, gestoras, profissionais liberais e donas de casa, muitas vezes sem abrir mão do cuidado com filhos, familiares e da própria formação contínua.

Apesar dos avanços na equidade de gênero e do crescimento da participação feminina em diferentes setores da economia, a sobrecarga ainda é um desafio significativo. A busca por excelência em todas as áreas pode levar ao esgotamento físico e emocional, impactando diretamente a saúde mental.

Segundo a psicóloga, psicanalista, palestrante e autora do best-seller “Invencível – A felicidade como uma escolha inegociável” Luciana Deretti, a pressão não vem apenas do ambiente externo. “Existe uma cobrança social histórica para que a mulher dê conta de tudo. Mas também há uma autocobrança intensa, alimentada pela ideia de perfeição em todos os papéis”, afirma.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres gastam 9,6 horas por semana a mais do que os homens com afazeres domésticos ou cuidados com pessoas. São 21,3 horas por semana no caso delas, e somente 11,7 no caso deles. O levantamento mais recente divulgado em 2023 revelou ainda que, enquanto 91% das mulheres realizaram alguma atividade relacionada a afazeres domésticos, essa proporção foi de 79% entre os homens. A taxa de realização de afazeres domésticos é maior entre as mulheres negras (92,7%).

A especialista reforça que é preciso revisar expectativas. “Não é possível performar 100% em todas as áreas o tempo inteiro. Aceitar limites e compreender fases da vida é essencial para reduzir culpa e ansiedade”, explica.

Abaixo, Luciana elenca estratégias práticas que podem ajudar mulheres a equilibrar melhor suas múltiplas funções:

1. Estabeleça prioridades reais

Nem tudo é urgente. Definir o que realmente precisa ser feito no dia e aceitar que algumas tarefas podem esperar reduz a sensação constante de atraso.

2. Pratique a divisão de responsabilidades

Compartilhar tarefas domésticas e familiares é fundamental. A sobrecarga diminui quando há diálogo e construção de acordos dentro de casa.

3. Diga “não” sem culpa

Recusar demandas que extrapolam seus limites não é egoísmo, é autocuidado. Proteger seu tempo é proteger sua saúde mental.

4. Reserve tempo para si mesma

Pequenos momentos de pausa, seja para atividade física, leitura ou simplesmente descanso, fazem diferença no equilíbrio emocional.

5. Busque rede de apoio

Amigas, familiares, grupos profissionais ou terapia podem ser espaços seguros para compartilhar desafios e encontrar soluções conjuntas.

Para a especialista, o caminho não está em tentar “dar conta de tudo”, mas em redefinir o que significa sucesso e equilíbrio. “Ser múltipla não significa ser sobrecarregada. A leveza começa quando a mulher entende que não precisa provar nada a ninguém”, conclui Luciana.

Diante de um cenário em que mulheres seguem ampliando sua presença nos negócios, na liderança, na rotina doméstica e familiar, discutir saúde mental e divisão justa de responsabilidades torna-se essencial para que essa evolução venha acompanhada de qualidade de vida.

O desafio diário de equilibrar carreira, casa e o autocuidado de uma atividade física

Sobrecarga de 21 horas quase dobra a jornada feminina e compromete saúde física e mental. O acúmulo de trabalho não remunerado impede quase metade das mulheres de se exercitarem, contribuindo para uma crise de bem-estar

Mito da 'mulher guerreira': Mulheres acumulam múltiplas funções e sentem esgotamento

As mulheres brasileiras dedicam, em média, 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado, quase o dobro das 11,7 horas registradas entre os homens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, 47,5% delas não atingem os níveis mínimos de atividade física recomendados no país. Para a PersonalGO, a união da sobrecarga com a falta de tempo para o autocuidado cria um ciclo de exaustão e sedentarismo que afeta diretamente a saúde mental.

A “falta de tempo” aparece como principal barreira para a prática de exercícios, segundo levantamento do Datafolha sobre atividade física no Brasil. O impacto, porém, vai além do condicionamento físico. A pesquisa “Esgotadas”, conduzida pela Think Olga, mostra que 45% das brasileiras já receberam diagnóstico de ansiedade, depressão ou outro transtorno mental. Elas também representam 63,8% dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais, conforme dados do Ministério da Previdência Social.

Essa combinação entre sobrecarga doméstica, sedentarismo e adoecimento mental expõe um padrão estrutural que vai além de escolhas individuais. Quando o tempo se torna um recurso escasso, o autocuidado tende a ser o primeiro compromisso abandonado. Na avaliação da PersonalGO, romper esse ciclo exige repensar o modelo tradicional de prática de exercícios, com soluções mais flexíveis e integradas à rotina de mulheres que conciliam trabalho remunerado e não remunerado.

“Nos acostumamos a aplaudir a ‘mulher guerreira’ que dá conta de tudo, mas ninguém pergunta o custo dessa armadura. Os dados mostram que o custo é a saúde mental. Chamar uma mulher exausta de guerreira, quando ela não tem a opção de não ser, não é um elogio, é a romantização da sobrecarga”, afirma Ana Endlich, CMO e cofundadora da empresa.

Na prática, essa demanda por flexibilidade já se reflete no comportamento das usuárias. Entre os usuários que se identificaram por gênero no aplicativo, 60,15% são mulheres. A plataforma reúne mais de 4 mil vídeos de exercícios e permite a criação de treinos personalizados que se adaptam ao tempo disponível, sejam 15 minutos antes das crianças acordarem ou 40 minutos no fim de semana, e aos recursos existentes, mesmo que seja apenas o peso do próprio corpo.

A história da usuária Tassiana Freijó, arquiteta de 35 anos, exemplifica esse movimento de adaptação à realidade possível. Após um período de inatividade, ela relata as dificuldades para retomar a prática de exercícios em meio a uma rotina sobrecarregada. Sem se identificar com o modelo tradicional de academia, encontrou no treino em casa uma alternativa viável para recomeçar, com mais autonomia para organizar a própria rotina e definir a sequência de exercícios.

“Eu tentei fazer sem equipamentos porque hoje ir para a academia, pra mim, é uma atividade muito monótona. Eu não tenho amigos na academia. Tinha que ir sozinha. Já usei app de academia e foi ruim porque ele não me deixava montar a minha própria lista de exercícios, não tinha essa autonomia. Agora eu consegui criar uma série só com o peso do corpo para fazer em casa. Isso é liberdade”, comenta.

A literatura científica reforça que essa brecha na rotina pode produzir efeitos que vão além da estética ou do condicionamento físico. Uma das maiores revisões já realizadas sobre o tema, publicada em 2024 no British Journal of Sports Medicine, analisou dados de quase 80 mil pessoas e concluiu que a prática de exercícios pode alcançar eficácia comparável à de medicamentos e à psicoterapia no tratamento da depressão. Os resultados também indicam impactos positivos consistentes na redução de sintomas de ansiedade, sobretudo quando a atividade é realizada de forma regular e estruturada.

É nesse ponto que a proposta da empresa se ancora. “Nossa filosofia não é sobre performance a qualquer custo. É sobre consistência e saúde mental. Oferecer uma ferramenta que permite à mulher se movimentar por 20 minutos no seu próprio ritmo, no seu próprio espaço, é oferecer uma ferramenta de autocuidado. Nosso app não vai resolver a sobrecarga, mas pode ser o aliado que garante que, em meio ao caos, a saúde dela não seja a primeira a ser cortada da lista de prioridades”, destaca Ana Endlich.

A plataforma oferece funcionalidades que vão desde um plano gratuito até recursos adicionais, como escaneamento corporal por inteligência artificial (IA) e um marketplace que conecta praticantes a personal trainers, criando alternativas mais flexíveis para mulheres que precisam encaixar o autocuidado em uma rotina já sobrecarregada.

Neste Dia da Mulher, a PersonalGO destaca a importância de criar condições para que as mulheres possam cuidar de si mesmas, em vez de apenas suportar a sobrecarga do dia a dia. Ana comenta: “Na PersonalGO, enxergamos essa mulher e sabemos que o problema não é falta de vontade. O foco é desenvolver soluções viáveis para o autocuidado, com tecnologia que se adapte à rotina dela, e não o contrário.”

Sobre a PersonalGO

A PersonalGO é uma startup focada em conectar pessoas que desejam se exercitar com personal trainers qualificados. Com um marketplace dedicado ao fitness, o aplicativo desenvolvido pela empresa oferece uma solução conveniente para alunos e profissionais de educação física, permitindo que os especialistas ofereçam seus serviços e possam ser encontrados pelos alunos de forma intuitiva e eficiente, além de contar com uma biblioteca de mais de 4 mil exercícios em vídeo. Para mais informações, acesse: https://www.personalgo.com.br/

Sobre Luciana Deretti

Psicóloga, psicanalista, Luciana Deretti é especialista em Teoria Psicanalítica e Psicoterapias da Infância e Adolescência, Adultos e Psicanálise Vincular (Casal e Família). Autora do best-seller “Invencível – A felicidade como uma escolha inegociável”, transformou sua história de vida marcada por perdas e traumas em uma jornada de força, resiliência e superação. Com mais de 20 anos de experiência clínica, é hoje referência como palestrante em inteligência emocional e liderança, convocando todos para uma vida de propósito e protagonismo.

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