Polícia Civil apura indícios adicionais no assassinato da jovem de 15 anos; terceira pessoa pode tê-la esquartejado
Atendendo a pedidos da mãe da jovem Nicolly Fernanda Pogere, assassinada em julho do ano passado aos 15 anos em Hortolândia, a Polícia Civil instaurou um novo inquérito para apurar indícios adicionais no crime. O corpo da jovem, esfaqueada e esquartejada, foi encontrado às margens de uma lagoa do Jardim Amanda I e o caso chocou toda a região e o país.
Dois adolescentes confessaram envolvimento no feminicídio e foram apreendidos: um jovem de 17 anos, namorado de Nicolly, e uma adolescente de 14 anos, com quem ele mantinha um relacionamento. Agora, áudios enviados à Polícia Civil indicam supostas conversas entre familiares dos envolvidos no crime e sugerem que uma terceira pessoa, e não o namorado da vítima, pode ter sido responsável pelo esquartejamento do corpo.
A situação inclusive foi relatada em detalhes por Pit Magrin à reportagem do Novo Momento. Desde o término do inquérito ela vinha pedindo publicamente que o caso fosse reaberto para que a polícia investigue pelo menos mais uma pessoa por possível participação no crime brutal.

Menores
Em meados deste mês de abril, o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil, realizou uma operação contra cinco pessoas que ameaçaram e ridicularizaram, na internet, a mãe e o padrasto de Nicolly Pogere. As intimidações miravam Priscila Franciele Magrin (Pit Magrin), mãe, e Felipe Henrique Espanha, padrasto.
Pelo menos três dos cinco alvos são menores de idade, entre 13 e 17 anos. Os outros dois foram identificados apenas pelos apelidos usados nas redes sociais e pelos genitores. Batizada de Persecutio, a operação investiga ameaças feitas por meio de grupos na plataforma Discord, e-mails, comunicações privadas e publicações no TikTok.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Governo do Estado de São Paulo informou que recebeu a denúncia e os áudios, que agora passam por análise. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Hortolândia.

Lei
Todo o luto de Pit Magrin foi transformado em luta, para que haja uma mobilização em torno da necessidade de leis mais severas conta crimes brutais cometidos por menores de idade e novas normas para endurecimento de quem utiliza plataformas digitais para discutir e até mesmo exibir crimes reais na internet.
Devido à limitação de 3 anos de internação para menores infratores no Brasil, a mãe clama por mudanças na legislação para punições mais severas a adolescentes envolvidos em crimes hediondos e bárbaros. E ainda pede responsabilização de plataformas digitais que abrigam grupos extremistas.
É a chamada Lei Nicolly Pogere, cujo texto foi entregue à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, em Brasília/DF, se encontrando em consulta pública no site do órgão. A petição havia recebido apoiamento superior a 20 mil manifestações.