Durante muito tempo, o minimalismo ditou grande parte das referências de arquitetura e interiores, o que resultou em ambientes mais claros, com poucos objetos e linhas retas. Como contraponto, o maximalismo ganhou força trazendo cores, estampas e uma profusão de informações visuais. Entre um extremo e outro, muita gente passou a se perguntar se era preciso escolher um lado para ter uma casa bonita?

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Para as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente da Dantas & Passos Arquitetura, a resposta é não. Na visão da dupla, a arquitetura vive um momento de um caminho intermediário, porque mais importante do que seguir uma tendência é criar espaços que façam sentido para a rotina, os hábitos e a personalidade de quem mora ali.

A estética, sozinha, não sustenta uma boa experiência dentro de casa. As pessoas perceberam que o lar precisa refletir quem elas realmente são e como ninguém vive apenas de um único estilo, os projetos também deixaram de seguir regras tão rígidas e passaram a priorizar conforto, autenticidade e bem-estar“, explicam.

Perfeição ou conforto?

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Segundo as arquitetas, durante muitos anos o minimalismo acabou sendo interpretado de maneira bastante rígida, resultando em ambientes neutros e com pouca expressão pessoal | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Maura Mello

Essa mudança não aconteceu apenas porque os estilos evoluíram, mas porque a forma de morar também se transformou. Antes, a residência tinha um papel mais de descanso e agora concentra renovação, lazer, encontros, trabalho e convívio dentro da rotina da família. Como consequência, ambientes excessivamente neutros ou pensados apenas para impressionar perderam espaço para soluções que privilegiam acolhimento e permanência.

Ao mesmo tempo, a dupla não enxerga exatamente um retorno ao maximalismo clássico. Em vez disso, o mercado tem valorizado projetos mais equilibrados, que continuam priorizando organização, fluidez e funcionalidade, mas passam a incorporar texturas, cores, obras de arte, objetos afetivos e materiais naturais.

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Essa mudança também acompanha uma nova relação das pessoas com suas próprias casas. Depois de passarem mais tempo dentro de casa, muitos moradores perceberam que ambientes perfeitos ou cenográficos nem sempre oferecem bem-estar necessário | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Eduardo Pozella

As pessoas começaram a entender que uma casa bonita não precisa parecer um showroom. Existe uma valorização maior de ambientes que transmitam pertencimento, que pareçam realmente habitados e contem a história de quem mora ali“, afirma Paula Passos.

O equilíbrio

Em vez de abandonar completamente o minimalismo ou abraçar o maximalismo, os projetos atuais tendem a construir uma linguagem que combina o melhor dos dois universos. Na prática, isso significa utilizar bases neutras e atemporais, como revestimentos, marcenaria e grandes superfícies, enquanto a personalidade aparece em elementos mais fáceis de atualizar, como quadros, objetos decorativos, tecidos, almofadas e peças garimpadas ao longo da vida.

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Uma base neutra em pisos, revestimentos e marcenaria permite, desde o início, renovar o visual da casa ao longo do tempo apenas com mudanças aqui e ali na decoração e nos objetos | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Henrique Ribeiro

Essa combinação também se manifesta na escolha dos materiais e acabamentos, por exemplo, como a madeira em tons médios, ou pedras naturais com veios suaves, os metais escovados, pinturas foscas, linhos, bouclés, camurças, fibras naturais e até o granilite reinterpretado em versões contemporâneas aparecem como recursos capazes de adicionar profundidade sem criar excesso visual.

Mais do que um novo estilo, estamos vendo o fortalecimento de uma arquitetura mais sensorial, de iluminação suave, texturas naturais, formas menos rígidas e a mistura equilibrada entre peças antigas e contemporâneas ajudam a criar ambientes que permanecem atuais por muito mais tempo“, destaca Paula Passos.

Criando uma casa atemporal

Para quem está reformando ou decorando e não se identifica totalmente com nenhum dos extremos, as arquitetas recomendam que o projeto comece por uma pergunta bastante simples: como você quer se sentir quando entrar em casa? A resposta costuma orientar escolhas muito mais duradouras do que qualquer tendência. Na hora de colocar isso em prática, alguns cuidados fazem diferença:

·         Comece pela sensação, não pelo estilo: Antes de escolher referências, pense em como deseja viver os ambientes e quais atividades fazem parte da rotina da família.

·         Boa base: Pisos, marcenaria e revestimentos costumam permanecer por muitos anos, então quanto mais atemporais forem essas escolhas, maior será a liberdade para atualizar a decoração no futuro.

·         Fácil de renovar: Tente quadros, almofadas, objetos decorativos, luminárias e obras de arte permitem transformar os ambientes sem grandes reformas.

·         Significado: Valorize os móveis herdados, lembranças de viagens, fotografias e peças afetivas, isso ajuda a construir uma identidade impossível de reproduzir apenas seguindo tendências.

·         Texturas: Invés de recorrer ao excesso de cores ou estampas, aposte em madeira, pedras, tecidos naturais e fibras cria profundidade visual de forma elegante.

O que costuma permanecer bonito ao longo do tempo não é necessariamente um estilo específico, mas a coerência entre arquitetura, materiais, proporções e o modo como a família vive. Projetos muito extremos tendem a envelhecer mais rapidamente“, observa Danielle Dantas.

Mas independentemente da linguagem escolhida, o equilíbrio visual continua sendo um dos principais desafios de qualquer projeto de interiores. De acordo com as arquitetas, esse resultado é construído a partir da proporção, da escala, do ritmo e da distribuição do peso visual entre móveis, revestimentos e objetos.

Entre os recursos mais utilizados estão a alternância entre superfícies lisas e texturizadas, a repetição controlada de materiais, o contraste entre peças leves e robustas, a composição de diferentes alturas e o uso estratégico da iluminação para criar profundidade.

Para quem deseja aplicar esses conceitos sem grandes reformas, a orientação é observar a casa como um conjunto, e não apenas como a soma de móveis e objetos.

Muitas vezes não é preciso comprar mais decoração. O que faz diferença é retirar alguns elementos para valorizar aqueles que realmente importam. Também gostamos de pensar os ambientes em camadas: primeiro a base, formada pelos móveis principais; depois o conforto, com tapetes e tecidos; e, por fim, a personalidade, construída pelos objetos e pela arte“, ressaltam Paula e Danielle.

E para quem prefere o maximalismo ao minimalismo?

Quem gosta de ambientes mais expressivos também encontra espaço nessa nova fase da arquitetura. A diferença é que o maximalismo atual deixa de valorizar a quantidade e passa a priorizar a curadoria. Em vez de preencher todos os espaços, a proposta é construir camadas de forma consciente, preservando circulação, organização e conforto visual.

Segundo as arquitetas, definir um elemento protagonista em cada ambiente, repetir materiais ou cores para criar unidade e equilibrar superfícies mais intensas com áreas de respiro são estratégias que permitem explorar estampas, obras de arte, coleções e objetos decorativos sem comprometer a funcionalidade.

O erro normalmente não está no excesso de personalidade, mas na ausência de hierarquia visual. É possível misturar cores, estampas, obras de arte e coleções sem comprometer o conforto, desde que exista equilíbrio entre todos esses elementos“, dizem.

Dica final

minimalismo

Objetos herdados, lembranças de viagens e obras de arte ajudam a construir uma casa com identidade própria, algo que dificilmente pode ser reproduzido apenas seguindo referências da internet | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Henrique Ribeiro

Se antes a discussão girava em torno de qual estilo seguir, hoje o foco está em criar espaços capazes de acompanhar a vida dos moradores. Na avaliação de Danielle e Paula, a personalidade deixou de estar associada apenas à escolha de cores ou objetos decorativos e passou a aparecer nas decisões mais profundas sobre o funcionamento da casa, nos rituais cotidianos, nas peças que permanecem ao longo dos anos e nas memórias que cada ambiente abriga.

O grande luxo contemporâneo não é ter uma casa que parece uma imagem de referência. É ter uma casa que funciona para quem mora nela. Um projeto bem resolvido não é aquele que segue um estilo à risca, mas aquele que continua fazendo sentido ao longo do tempo“, concluem a dupla da Dantas & Passos Arquitetura.

Sobre a Dantas & Passos Arquitetura 

A Dantas & Passos Arquitetura desenvolve projetos de arquitetura e design de interiores para os segmentos residencial e comercial. Atuando no mercado desde 1996, as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos valorizam os projetos que os clientes possam realmente aproveitá-los.  Cores neutras e atemporais fazem parte da essência da dupla, que tem um vasto portfólio nas cidades de São Paulo, interior e Miami. “Buscamos sempre pensar em soluções exclusivas e feitas sob medida para cada cliente, sempre respeitando os sonhos de cada um. Participamos pessoalmente de todas as etapas do projeto, desde a criação até os objetos de decoração.”  

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