A caneta que pode destronar o Mounjaro: novo remédio levou à perda média de até 30% do peso 

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A caneta que pode destronar o Mounjaro

Durante anos, perder 5% ou 10% do peso corporal já era considerado um resultado importante no tratamento da obesidade. Então chegaram medicamentos como semaglutida e tirzepatida, capazes de produzir reduções muito maiores e mudar completamente aquilo que pacientes e médicos esperavam de um tratamento clínico.

O Mounjaro, nome comercial mais conhecido da tirzepatida, tornou-se o símbolo dessa revolução. A molécula atua sobre dois receptores hormonais e, em um estudo comparativo publicado em 2025, produziu redução média de 20,2% do peso em adultos com obesidade e sem diabetes após 72 semanas.

Agora, uma nova substância pretende elevar novamente essa régua.

A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela mesma farmacêutica, fez participantes perderem, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas na dose mais alta. Em um grupo com obesidade mais grave que permaneceu no estudo por dois anos, a redução média chegou a 30,3%.

A diferença parece pequena quando expressa em porcentagens. Na prática, representa um avanço capaz de aproximar o tratamento medicamentoso de resultados anteriormente relacionados principalmente à cirurgia bariátrica.

“Estamos deixando uma era em que os medicamentos ajudavam o paciente a perder alguns quilos e entrando em outra, na qual determinadas terapias podem modificar profundamente o peso corporal e vários componentes da saúde metabólica”, explica o médico Dr. Gustavo de Oliveira Lima, especialista em emagrecimento e performance.

O terceiro hormônio que pode mudar o jogo

A tirzepatida age sobre os receptores de dois hormônios: GLP-1 e GIP. Juntos, eles participam do controle da glicose, da saciedade e da resposta do organismo aos alimentos.

A retatrutida acrescenta um terceiro alvo: o receptor do glucagon.

Por isso, ela é chamada de triplo agonista. Uma única molécula ativa os receptores de GLP-1, GIP e glucagon. O apelido “GLP-3”, popularizado nas redes sociais, não é uma classificação científica correta, já que não existe um hormônio chamado GLP-3 envolvido no medicamento.

De maneira simplificada, GLP-1 e GIP ajudam a controlar o apetite, a saciedade e a glicemia. A ação sobre o glucagon parece acrescentar efeitos relacionados ao gasto energético e ao metabolismo das gorduras.

É como se o medicamento atuasse em duas frentes: reduzindo a quantidade de energia que entra e modificando a maneira como o organismo utiliza suas reservas.

“A inovação não está apenas em fazer a pessoa sentir menos fome. A retatrutida tenta alcançar diferentes mecanismos que participam da obesidade ao mesmo tempo”, afirma Dr. Gustavo.

A combinação não surgiu por acaso. O organismo não controla o peso por meio de um único hormônio. Fome, saciedade, armazenamento de gordura, gasto energético, resposta à insulina e defesa do peso corporal formam uma rede complexa.

Quanto mais a ciência compreende essa rede, mais os novos medicamentos deixam de agir sobre um único ponto.

Quase metade perdeu pelo menos 30% do peso

O dado que colocou a retatrutida no centro das atenções veio do estudo TRIUMPH-1, com 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a algum problema de saúde e sem diabetes.

Após 80 semanas, os participantes que utilizaram 12 miligramas perderam, em média, 28,3% do peso. Na dose de 9 miligramas, a redução média foi de 25,9%. Até a dose mais baixa, de 4 miligramas, alcançou uma perda de 19%.

Mas a média conta apenas uma parte da história.

Na dose de 12 miligramas:

  • 62,5% dos participantes perderam pelo menos 25% do peso;
  • 45,3% perderam 30% ou mais;
  • 27,2% perderam pelo menos 35%.

Além disso, 65,3% dos participantes dessa dose terminaram as 80 semanas com índice de massa corporal abaixo de 30, deixando de preencher o critério de IMC para obesidade.

No grupo com IMC inicial igual ou superior a 35 que continuou o tratamento por 104 semanas, a perda média atingiu 30,3%. Os participantes ainda estavam emagrecendo ao longo do período, sugerindo que o efeito não havia desaparecido precocemente.

“Quando uma parcela expressiva dos pacientes perde 30% ou mais do peso, já não estamos falando apenas de uma melhora estética. Estamos diante de uma mudança corporal capaz de interferir na mobilidade, na pressão, na glicemia, no fígado, no sono e no risco cardiovascular”, destaca o médico.

Os resultados divulgados também apontaram reduções na circunferência abdominal, nos triglicerídeos, na pressão arterial, no colesterol não HDL e em marcadores de inflamação. Entretanto, parte dos dados completos do estudo ainda deverá passar por publicação científica detalhada e revisão por pares.

A retatrutida é realmente mais potente que o Mounjaro?

Os resultados sugerem que ela pode ser, mas a resposta definitiva ainda depende de uma comparação direta.

A tirzepatida produziu perdas próximas de 20% em grandes estudos sobre obesidade. Já a retatrutida alcançou média de 28,3% em 80 semanas e de 30,3% em uma extensão realizada com participantes com obesidade mais grave.

O problema é que esses números vieram de estudos diferentes, com populações, tempos de tratamento e protocolos distintos. Comparar diretamente as porcentagens seria como colocar lado a lado dois atletas que correram em pistas e condições diferentes.

Para responder à pergunta de maneira conclusiva, está em andamento o estudo TRIUMPH-5, criado especificamente para comparar retatrutida e tirzepatida em adultos com obesidade.

Até a divulgação desse confronto, a formulação mais correta é: a retatrutida alcançou, em estudos separados, uma perda média de peso superior às marcas observadas com a tirzepatida. Isso já é suficiente para torná-la uma das moléculas mais promissoras da história recente do tratamento da obesidade.

Depois do Mounjaro, a obesidade entra em uma nova fase

A história dos medicamentos para obesidade está avançando em uma velocidade que poucos imaginavam. O próximo passo não será apenas descobrir qual caneta faz emagrecer mais.

A medicina precisará responder quem realmente se beneficia de cada opção, quais pacientes toleram cada mecanismo, como preservar músculos e nutrientes, o que acontece após anos de uso e se as grandes perdas de peso serão acompanhadas por menos colaterais.

“A chegada de medicamentos mais eficazes não torna o acompanhamento menos importante. Torna-o ainda mais necessário”, conclui Dr. Gustavo de Oliveira Lima. “Quanto maior a capacidade de modificar o corpo, maior deve ser a responsabilidade de proteger a saúde durante o processo.”

O Mounjaro ainda é uma das ferramentas mais poderosas disponíveis no tratamento metabólico. Mas a retatrutida acaba de mostrar que o teto da perda de peso medicamentosa talvez estivesse apenas começando a ser descoberto.

Dr. Gustavo de Oliveira Lima

Médico CRM/SP 207.928

Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.

 

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