Quem faz a ciência acontecer além dos laboratórios?
Da Amazônia à inteligência artificial aplicada à saúde, grandes projetos científicos revelam a importância de uma dimensão pouco visível da pesquisa: a gestão que contribui para transformar conhecimento em benefícios para a sociedade.
Por Prof. Dr. Orival Andries Junior — Diretor Executivo da Funcamp
O que uma pesquisa sobre o futuro da Amazônia e o desenvolvimento de inteligência artificial para prevenir doenças têm em comum? Além do potencial de transformar a sociedade, ambos dependem de uma estrutura de gestão capaz de viabilizar recursos, parcerias e condições para que a ciência avance.
O AmazonFACE, experimento que investiga os efeitos do aumento de CO₂ sobre a floresta amazônica, é o maior projeto de pesquisa já apoiado pela Funcamp em volume financeiro. Já o Viva Bem, parceria entre Unicamp, FAPESP e Samsung, desenvolve pesquisas em inteligência artificial aplicada à saúde preventiva e personalizada. Em ambos, a Fundação contribui com a gestão administrativa e financeira, respeitando as particularidades e os objetivos de cada iniciativa.
Esses exemplos revelam uma dimensão frequentemente invisível da produção científica: entre uma ideia e sua realização, existe um caminho que envolve planejamento, financiamento, pessoas, infraestrutura, governança e cooperação.
A ciência precisa de recursos. Mas também precisa de capacidade para transformá-los em resultados.
Quando uma descoberta científica se transforma em uma nova tecnologia, um tratamento de saúde ou uma oportunidade educacional, o protagonismo pertence aos pesquisadores e às instituições que produzem conhecimento. Entretanto, para que esse conhecimento alcance seu potencial, é necessário contar com estruturas capazes de sustentar sua execução.
É nesse contexto que a Funcamp exerce um papel estratégico, contribuindo para aproximar a produção acadêmica das necessidades da sociedade e criar condições para que projetos de ensino, pesquisa, inovação e saúde avancem. A ciência precisa de recursos. Mas também precisa de capacidade para transformá-los em resultados.
Essa reflexão ganha importância quando observamos a complexidade do sistema brasileiro. Os indicadores nacionais divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que, em 2023, o setor governamental respondeu por 48% dos dispêndios em pesquisa e desenvolvimento no país, enquanto o setor empresarial representou 52%.
Os números revelam a participação de diferentes atores no financiamento científico. Mas também convidam a uma pergunta: como estamos criando condições para que esses investimentos cumpram sua finalidade?
A gestão também faz parte da infraestrutura científica.
Quando pensamos em infraestrutura de pesquisa, imaginamos laboratórios, equipamentos, bibliotecas e centros tecnológicos. Todos são indispensáveis.
Mas uma pesquisa também depende de processos que permitam adquirir insumos, contratar serviços, administrar recursos, estabelecer parcerias e cumprir obrigações legais.
Essas atividades podem parecer distantes da descoberta científica. Na prática, são parte das condições necessárias à sua realização.
No Brasil, as fundações de apoio contribuem para essa estrutura. A Funcamp, por exemplo, atua na gestão administrativa e financeira de projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento científico e tecnológico e inovação.

Sobre o autor
Prof. Dr. Orival Andries Junior é diretor executivo da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Graduado em Educação Física e Pedagogia, possui mestrado em Educação, doutorado e livre-docência em Educação Física. Foi diretor da Faculdade de Educação Física da Unicamp entre 2018 e 2022. Sua trajetória reúne experiência em ensino, pesquisa e gestão universitária.
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