Presidente do Ciesp Rafael Cervone, ressalta ser necessário enfrentar a conjuntura geopolítica global com mecanismos inteligentes e criativos, que mantenham a economia dinâmica e competitiva.
“É um absurdo que, de cada dez empresas do setor, oito enfrentem dificuldades para obter crédito devido aos juros elevados”, conforme revelou recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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Diante dessa constatação, cabe ponderar, à véspera da segunda reunião do Copom em 2026, que a tendência constante do Boletim Focus de segunda-feira (16/03), de que a Selic recuará apenas 0,25 ponto percentual, caindo para 14,75% ao ano, ainda está muito aquém da necessidade de retomarmos um crescimento econômico mais robusto”.

CervoneA opinião é de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “A política monetária é restritiva demais e está inviabilizando o crédito, o que significa menos investimentos, menor expansão do PIB, geração de empregos aquém do potencial e dificuldades para o empreendedorismo”, observa.

Fala Cervone

“As alegações para manter a Selic tão elevada também precisam ser analisadas de modo mais aprofundado”, salienta o presidente do Ciesp, ponderando: “O encarecimento do petróleo e os impactos das guerras em curso no mundo pressionam a inflação, mas não podem travar nossa economia. Produzir mais e colocar mais produtos à disposição do consumidor refreia a majoração dos preços e estimula o aumento do PIB. É preciso enfrentar a conjuntura geopolítica com mecanismos inteligentes e criativos, que mantenham nossa economia dinâmica e competitiva”.

Quanto à questão fiscal, que, na visão de Cervone, precisa de fato ser equacionada pela União, estados e municípios, cabe considerar que o juro alto apenas agrava o déficit, pois, segundo estimativa do próprio Banco Central, a cada ponto percentual de aumento na Selic, o gasto com a dívida pública brasileira cresce cerca R$ 55 bilhões. “Esse fator reduz muito a capacidade de investimento do governo nas prioridades do País, que se transformou em refém de uma das mais elevadas taxas de juro do mundo por um período muito grande de tempo”.

Para a indústria, que exige investimentos constantes em inovação, atualização tecnológica, aquisição e manutenção de máquinas e equipamentos, além dos gastos permanentes com insumos e matérias-primas, os juros altos são particularmente danosos, enfatiza o presidente do Ciesp. “Ou seja, a Selic continua sendo um dos principais entraves ao avanço do nosso setor, restringindo investimentos produtivos, justamente em um momento em que é necessário ampliar sua capacidade produtiva e fortalecer a competitividade”, alerta.

Para Rafael Cervone, o custo financeiro elevado compromete decisões de expansão, modernização tecnológica e inovação, afetando o ritmo de crescimento da atividade manufatureira. “Freando a indústria e impactando todos os segmentos, os juros altos têm sido um dos principais entraves à capacidade do Brasil de alcançar índices mais expressivos de inclusão e bem-estar social”, afirma.

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