Empresa-filha da Unicamp amplia aplicação de casca de jabuticaba para saúde intestinal
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Nativa da Mata Atlântica, de cor escura e conhecida por suas propriedades antioxidantes, a jabuticaba já havia demonstrado potencial para auxiliar no controle do peso e na saúde metabólica em pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Agora, uma nova tecnologia derivada desses estudos amplia as possibilidades de aplicação da fruta, com foco na modulação da microbiota intestinal.
A nova tecnologia representa uma continuidade dos estudos iniciados na Universidade e liderados pelo professor Mário Roberto Maróstica Junior sobre os benefícios dos compostos fenólicos presentes na casca da jabuticaba, estudos que também resultaram em uma invenção anterior. Enquanto a primeira tecnologia demonstrou os efeitos da fruta para o sobrepeso e a obesidade, a nova invenção ampliou a aplicação ao investigar sua atuação na microbiota intestinal. Os resultados mostraram que compostos bioativos presentes na casca da fruta podem atuar como prebióticos, ou seja, alimentos para microrganismos benéficos do intestino.
As duas tecnologias relacionadas ao extrato de jabuticaba receberam proteção por patente e foram licenciadas com o apoio e a estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp para a Rubian Extratos, empresa-filha da Unicamp criada a partir da competição de empreendedorismo Desafio Unicamp. Com base na primeira tecnologia, a empresa desenvolveu e levou ao mercado um extrato de jabuticaba para distúrbios metabólicos em pessoas com sobrepeso. Paralelamente, os pesquisadores da Rubian Extratos deram continuidade aos estudos para aprofundar o entendimento sobre os mecanismos de ação dos compostos fenólicos presentes na casca da jabuticaba e seus potenciais efeitos no organismo.
Jabuticaba atua na saúde metabólica e microbiota intestinal
Os compostos fenólicos são substâncias naturais produzidas pelos vegetais e conhecidas por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Como atuam de forma sistêmica no organismo, os pesquisadores levantaram a hipótese de que os benefícios observados poderiam estar relacionados também à microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que habitam o trato digestivo e desempenham papel importante na saúde humana.
Grande parte desses compostos está concentrada na casca da jabuticaba, que representa entre 30% e 45% do peso da fruta, e normalmente é descartada após o processamento. O aproveitamento desse resíduo agroindustrial permitiu ampliar as pesquisas sobre os potenciais benefícios da fruta para a saúde humana, transformando um material antes descartado em fonte de compostos bioativos.
“Temos parceiros que geram esses resíduos e disponibilizam o material para as pesquisas e para o desenvolvimento das tecnologias. Com isso, conseguimos aproveitar um recurso que seria descartado, favorecendo uma cadeia mais sustentável e reduzindo impactos ambientais. Isso nos levou até mesmo a receber a Certificação Upcycled padrão Ouro em 2025 pela utilização de resíduos agroindustriais”, explica Eduardo Cesar Andreo Aledo, sócio-fundador da Rubian Extratos.
Para investigar a relação entre os compostos fenólicos e a microbiota intestinal, os pesquisadores utilizaram amostras de microbiota de indivíduos obesos e avaliaram os efeitos do extrato de jabuticaba sobre a diversidade bacteriana. Os resultados demonstraram aumento de bactérias associadas à saúde intestinal e redução de grupos potencialmente prejudiciais, indicando que o composto pode contribuir para o equilíbrio do ecossistema intestinal. Os pesquisadores também observaram indícios de proteção da barreira intestinal diante de estímulos inflamatórios, condição frequentemente associada à obesidade.
“Os resultados ampliam o entendimento sobre os benefícios da casca da jabuticaba e reforçam seu potencial como ingrediente funcional para a promoção da saúde intestinal”, afirma Aline Rissetti Roquetto, pesquisadora da Rubian Extratos.
Parte dos estudos foi realizada com o auxílio do SHIME (Simulator of the Human Intestinal Microbial Ecosystem), um sistema que reproduz em laboratório as condições do trato gastrointestinal humano, simulando as etapas de digestão.
A ferramenta permitiu que os pesquisadores acompanhassem o comportamento dos compostos presentes na jabuticaba ao longo do processo digestivo e avaliassem seus efeitos sobre a microbiota intestinal em condições controladas.
Comercialização e regulamentação
Paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia, a Rubian Extratos trabalhou para ampliar as possibilidades de comercialização do ingrediente. A empresa obteve junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a inclusão do extrato em sua lista positiva – substâncias previamente avaliadas e consideradas seguras-, etapa que abre caminho para sua utilização em produtos do mercado industrial de suplementos alimentares.
Atualmente, o ingrediente já é comercializado para o segmento magistral, destinado à manipulação mediante prescrição médica. Com a nova autorização regulatória, a expectativa da empresa é ampliar sua atuação para o mercado industrial ainda neste ano, permitindo que o composto seja incorporado a produtos destinados ao consumidor final.
A Rubian Extratos atua no modelo business-to-business (B2B), fornecendo o ingrediente para empresas interessadas em desenvolver produtos a partir da tecnologia. O extrato, com o nome de Longevity, é comercializado na forma de pó e distribuído para parceiros comerciais.
Em 2025, o Longevity recebeu o prêmio de ingrediente mais inovador na Food Ingredients South America (FiSA), feira voltada para o mercado de ingredientes alimentícios. O FI Awards é uma premiação realizada durante a feira que reconhece soluções criativas e promissoras em pesquisa e desenvolvimento para alimentos e bebidas.
Como licenciar uma tecnologia da Unicamp
O desenvolvimento da nova tecnologia ilustra um ciclo completo de inovação. Após licenciar a primeira patente relacionada aos benefícios da casca da jabuticaba, a Rubian Extratos aprofundou as pesquisas sobre o ingrediente e gerou novos conhecimentos que resultaram em um segundo pedido de patente. Nesse processo, a Unicamp tornou-se cotitular da nova tecnologia, demonstrando como a transferência de conhecimento pode estimular o desenvolvimento de novas soluções e fortalecer a parceria entre universidade e empresa.
A Inova Unicamp disponibiliza no Portfólio de Tecnologias da Unicamp uma vitrine tecnológica. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, software e know how. O contato e a negociação são realizados diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas. A Inova Unicamp também oferta ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade chegue ao mercado e à sociedade.
Para conhecer outros casos de licenciamento de tecnologias da Unicamp, acesse o site da Inova.
Prêmio Inventores 2026
Esta é a 19ª edição do Prêmio Inventores que a Inova Unicamp organiza com o propósito de reconhecer e valorizar os inventores engajados na transferência de tecnologias da Universidade e na criação de empresas spin-offs acadêmicas.
Inventores Premiados
Aline Rissetti Roquetto (Rubian Extratos), Eduardo Cesar Andreo Aledo (Rubian Extratos) e Philipe dos Santos (Rubian Extratos) foram premiados na categoria Propriedade Intelectual Licenciada no Prêmio Inventores 2026.
Confira a lista completa de todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.
Programação de homenagens de 2026
A Inova Unicamp organizou uma série de homenagens em comemoração ao Prêmio Inventores de 2026, como as reportagens relacionadas a casos premiados, disponíveis para leitura nos sites da Inova Unicamp e do Prêmio Inventores.
No dia 4 de agosto, a Inova Unicamp também promove um evento presencial, compartilhando casos de sucesso na proteção da propriedade intelectual e na transferência de tecnologia da Universidade. Faça sua inscrição gratuita aqui.
O Prêmio Inventores 2026 tem o apoio institucional do Lumina, o Fundo Patrimonial da Unicamp, e o patrocínio de ClarkeModet e FM2S.
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