A reta final das eleições com Polarização política, a Igreja Católica tem reforçado a importância da participação cidadã, do diálogo, da democracia, da soberania nacional e do bem comum. Ao mesmo tempo, Nossa Senhora Aparecida voltou ao debate público por causa da discussão em torno de seu título de Padroeira do Brasil.
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Por que Maria é tão venerada no Brasil?
Em artigo, Frei Maurício Solfa discute o lugar de Nossa Senhora Aparecida na formação da identidade brasileira
Por Frei Maurício Solfa*
Por que Maria ocupa um lugar tão especial no coração do povo brasileiro? O jornalista e escritor Rodrigo Alvarez, que pesquisou profundamente a história de Maria e de Nossa Senhora Aparecida, chama a atenção para um aspecto muito significativo: Maria tornou-se parte da própria identidade religiosa e cultural do Brasil.Em 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul, três pescadores encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição. Era uma imagem pequena, quebrada e escurecida pelo tempo. Pouco a pouco, Aparecida ultrapassou os limites de uma devoção local. Tornou-se um fenômeno religioso nacional.
O brasileiro não encontrou em Maria apenas uma personagem do passado. Encontrou uma mãe. A fé católica não venera Maria como se ela fosse uma deusa. A Igreja a venera porque reconhece nela a Mãe de Jesus, aquela que disse “sim” a Deus. Maria conduz para Cristo. Ela aponta para o Filho.
O povo brasileiro, com sua religiosidade profundamente afetiva, encontrou em Maria uma maneira próxima e maternal de expressar sua confiança em Deus. Diante da dor, muitos recorrem à Mãe. Perante da doença, fazem uma promessa. Diante de uma graça recebida, agradecem. Ela acompanha o povo na alegria e na dor.
Há ainda algo profundamente bonito na história de Aparecida: Deus parece gostar de começar grandes coisas a partir do que é pequeno. Belém é uma pequena cidade. Um menino nasce numa manjedoura. E uma pequena imagem encontrada nas águas de um rio se torna, séculos depois, símbolo da fé de uma nação.
Venerar Maria não significa colocá-la no lugar de Deus. Quando um católico se coloca diante de Nossa Senhora, não está dizendo que ela é Deus. Está reconhecendo nela aquela que foi escolhida para ser a mãe do Salvador e pedindo sua intercessão. Maria não é grande porque tomou o lugar de Deus, mas porque permitiu que Deus ocupasse inteiramente o lugar em sua vida.
Polarização política
E talvez seja justamente por isso que, todos os anos, milhões de pessoas continuam caminhando em direção a Aparecida. Vão para agradecer, pedir ou cumprir uma promessa. E, no fundo, muitos vão porque acreditam que, quando chegam aos pés da Mãe, de algum modo também estão se aproximando do Filho.
*Frei Maurício Solfa é frade capuchinho, padre desde 2009, psicanalista e pós-graduado em Espiritualidade Franciscana. É autor de 60 dias para mudar, seu quarto livro, e vigário paroquial em Cruzeiro do Oeste (PR).
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