O MEC anunciou na segunda-feira as punições às 54 faculdades de medicina com notas baixas no Enamed. São Paulo concentra o maior número de cursos punidos em todo o país por baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

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No estado, os dados chamam a atenção:

  • 3 faculdades receberam restrição máxima (100%) nas novas matrículas;
  • 4 terão limitação de 50%, com supervisão e medidas administrativas;
  • 7 cursos sofrerão redução de 25% das vagas.

As sanções podem impactar diretamente o volume de novos médicos formados e reacendem o debate sobre a qualidade da formação no Brasil. Tomando como base o Censo da Educação Superior de 2024, esses cortes podem acarretar uma queda de cerca de 4,1 mil alunos ingressantes, de um total de 10,7 mil.

Opinião do especialista e o Enamed

Para Dr. Vinicius Destefani, cardiologista, educador médico e fundador da SPR Medplataforma que analisou as 349 instituições com a mesma metodologia estatística aplicada pelo Inep (TRI), as punições funcionam como um “alerta amarelo” para instituições que ainda tratam o aluno como autossuficiente.

Enamed

“A prova deixou claro que o estudante precisa de acompanhamento quase individual. Instituições que não tiverem um programa estruturado de proficiência dificilmente vão conseguir se recuperar até o Enamed 2026.”

“O que posso afirmar é que na análise dos microdados do Enamed percebi que as instituições que têm hospital próprio, time de doutores, pessoas que de fato querem investir em medicina de qualidade, continuam bem avaliadas. O que deve acabar é a farra de abrir faculdade de medicina porque se tem autorização. As punições são até um alerta para o governo que permite que abram faculdades de medicina instituições que não tem experiência e investimento nenhum na área, e muitas vezes estão isoladas no interior, longe de hospitais”, reforça o especialista.

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