Durante um episódio recente do Big Brother Brasil, um dos participantes se engasgou e precisou ser atendido pela equipe médica do programa. O que chamou atenção, no entanto, não foi apenas o incidente em si, mas o fato de que nenhum dos colegas soube como agir diante de uma emergência comum e potencialmente fatal.

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A cena escancarou uma realidade preocupante: a maioria das pessoas não sabe o que fazer em casos de engasgo (ou que parece um), mesmo se tratando de uma situação que pode acontecer à mesa de casa, em um restaurante, no trabalho ou em uma confraternização entre amigos.

Segundo a paramédica brasileira Priscila Currie, que atua há mais de uma década no Reino Unido, o desconhecimento ainda é um dos principais fatores de risco.

“O engasgo é uma emergência extremamente rápida. Em poucos minutos, sem oxigenação adequada, a pessoa pode perder a consciência. Saber reconhecer os sinais e agir imediatamente faz toda a diferença entre a vida e a morte”, afirma a especialista.

engasgo

O que é o engasgo e por que ele é tão perigoso

O engasgo acontece quando há uma obstrução das vias aéreas, impedindo a passagem de ar para os pulmões. Ao contrário do que muitos pensam, o problema não está no esôfago, que leva o alimento ao estômago, mas na traqueia, responsável pela respiração.

Quando a obstrução é total, a pessoa não consegue falar, gritar ou pedir ajuda.

 

“Sem passagem de ar, as cordas vocais não vibram. Não há voz. Por isso, muitas vezes a pessoa está consciente, entende o que está acontecendo, mas não consegue chamar ajuda”, explica Priscila.

Nessas situações, é comum que o engasgado tente chamar atenção batendo na mesa, na parede ou no chão. Reconhecer esses sinais é fundamental, porque a ajuda precisa ser imediata.

Como agir em caso de engasgo em um adulto

De acordo com a paramédica, a conduta correta depende do grau da obstrução:

  1. Se a pessoa ainda consegue tossir ou falar. A tosse é o mecanismo mais eficaz para expulsar o objeto.

“Mantenha a pessoa calma e incentive a tosse. Não intervenha se ela ainda consegue tossir”, orienta a Paramédica.

  1. Se a pessoa não consegue tossir, falar ou respirar. Devem ser aplicados cinco tapas firmes entre as escápulas (entre os ombros), com a pessoa levemente inclinada para frente, para facilitar a saída do objeto e evitar quedas.
  2. Se não funcionar. Inicie cinco compressões abdominais, conhecidas popularmente como manobra de Heimlich:

– Posicione-se atrás da pessoa;

– Coloque um punho fechado entre o umbigo e o final do esterno;

– Segure o punho com a outra mão;

– Faça compressões rápidas para dentro e para cima.

“A rapidez do movimento é mais importante que a força. O objetivo é gerar uma pressão de ar que expulse o objeto das vias aéreas”, destaca Priscila.

  1. Se a pessoa perder a consciência. Ela deve ser deitada no chão e a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada imediatamente, além de pedir ajuda médica urgente.

Imagem Ilustrativa

E se a pessoa estiver sozinha?

Engasgar sozinho é uma das situações mais perigosas.

“O ideal é tentar chegar rapidamente a um local onde haja outras pessoas. Ficar isolado reduz muito as chances de socorro”, alerta a paramédica.

Priscila ressalta que, se não houver ninguém por perto, é possível tentar a manobra utilizando uma cadeira, o encosto de um sofá ou outro objeto firme, pressionando a região acima do umbigo para gerar a pressão de ar necessária. Ainda assim, a técnica nem sempre funciona, reforçando a importância de buscar ajuda o mais rápido possível.

 

Situações especiais exigem adaptação

Alguns cenários exigem ajustes na técnica:

  • Pessoa muito mais alta que o socorrista: pode ser orientada a ficar de joelhos;
  • Pessoa obesa ou quando não é possível abraçar por trás: a manobra pode ser feita pela frente, usando uma superfície firme como apoio;
  • Gestantes: as compressões devem ser feitas acima da barriga, no abdome superior;

“O engasgo não pode esperar. Sem oxigênio, mãe e bebê correm risco em poucos minutos”, ressalta Priscila.

 

Primeiros socorros: um conhecimento que salva vidas

Formada pela St George’s University of London, Priscila Currie atua como paramédica no Reino Unido desde 2014 e é fundadora da Yay First Aid, empresa especializada em cursos de primeiros socorros baseados em evidência científica e experiência clínica real.

 

Para ela, o episódio do BBB serve como alerta coletivo, independente do diagnóstico certo do participante.

“Treinamentos de primeiros socorros não são apenas para profissionais da saúde. São para qualquer pessoa. O engasgo pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar, e saber agir nos primeiros minutos pode salvar uma vida”, finaliza a paramédica Priscila.

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