A SAFiel voltou a ser assunto nos bastidores do Corinthians. Após uma semana sem resposta do presidente Osmar Stabile, o grupo, que defende uma Sociedade Anônima de Futebol no Timão, divulgou um abaixo-assinado aos torcedores, com o objetivo de que a proposta não vinculante enviada ao clube seja debatida internamente.
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No último dia 2 de junho, o grupo encabeçado por Maurício Chamati, Eduardo Salusse e Carlos Teixeira, enviou ao Corinthians uma carta não vinculante, que permitiria a criação da SAFiel e sua busca pela captação prevista de R$ 2.5 bilhões, quantia que poderia aliviar imediatamente os cofres alvinegros.
A carta renova a oferta apresentada originalmente pelo trio em outubro de 2025. A proposta defende a constituição da SAF nos moldes da SAFiel, que prevê uma arrecadação popular dos recursos para a criação da empresa. A quantia seria levantada entre torcedores, que poderiam ter uma participação do clube na nova gestão.
O abaixo-assinado, publicado na última quarta-feira (10), possui 24 mil assinaturas até o momento. O site foi criado após Osmar Stabile ter ignorado a proposta da carta não vinculante, ponto fundamental para o início do projeto, que possui o apelo de grande parte da torcida do Corinthians nas redes sociais.

Uma das principais características da SAFiel é
a ausência da concentração de poder em um dono, um acionista controlador. O grupo defende um modelo onde o “futebol passaria a funcionar dentro de uma empresa (SAF), com regras de governança, entrada de capital, gestão executiva profissional e mecanismos de participação dos torcedores corinthianos na escolha dos dirigentes“.
Para Cristiano Caús, advogado especialista em direito esportivo e sócio da CCLA Advogados, desde o início o modelo da SAFiel esteve alinhado à Lei da SAF (Lei 14.193/2021), mas a ausência de um acionista controlador constituiria um risco.

“Uma das grandes questões da SAFiel sempre residiu na capacidade de estruturar salvaguardas jurídicas, como acordos de voto e ações com veto (‘golden share’), garantindo que a pluralidade democrática não se transforme em paralisia decisória”, afirmou ele.
Caso seja aceita pelo Corinthians, a carta de intenções não vinculante não obriga as partes a chegaram em uma conclusão do negócio. Em contrapartida, a SAFiel exige que o documento seja analisado e debatido pelo presidente Osmar Stabile, o Conselho de Orientação (CORI) e o Conselho Deliberativo (CD).

Entre os argumentos apresentados para o aceite da carta estão o endividamento de mais de R$ 2.8 bilhões do Corinthians, o crescimento diário dos juros da dívida (R$ 1.2 milhões), as restrições de fluxo de caixa e os compromissos financeiros relacionados à Neo Química Arena.
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