Vacinas: quando é seguro e quando é preciso esperar?
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Nos Estados Unidos, a discussão recentemente ganhou um novo capítulo, quando a Casa Branca publicou a Executive Order 14420. O documento defende a substituição da vacina MMR, equivalente à tríplice viral (SCR) usada no Brasil, por aplicações separadas contra sarampo, caxumba e rubéola quando produtos monovalentes estiverem disponíveis. A ordem também recomenda, na maior medida possível, que vacinas infantis sejam administradas em consultas separadas.
A decisão norte-americana não altera as recomendações brasileiras. As evidências científicas mostram que diferentes tipos de imunizantes podem ser administrados em conjunto com segurança quando essa coadministração está prevista nas recomendações. Vacinas inativadas, recombinantes, conjugadas e polissacarídicas podem ser administradas na mesma visita em diversas situações. Algumas combinações envolvendo vacinas vivas atenuadas, porém, exigem atenção aos intervalos.
Quando há indicação para mais de um imunizante, cada vacina é administrada separadamente, com seringa própria e em pontos distintos do corpo. Já as vacinas combinadas são desenvolvidas e licenciadas para reunir diferentes componentes em uma única aplicação, como a própria tríplice viral.³
“Receber diferentes vacinas em uma mesma visita não sobrecarrega o sistema imunológico. As combinações recomendadas são avaliadas em estudos que verificam tanto a segurança quanto a resposta produzida para cada doença”, explica Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora em vacinas da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.
Dependendo da idade, do histórico vacinal e das condições clínicas, uma mesma visita pode incluir imunizantes contra influenza, hepatites A e B, HPV, doença pneumocócica e herpes-zóster.
Há evidências clínicas para combinações específicas. Um ensaio randomizado avaliou a aplicação simultânea da vacina HPV-16/18 com uma vacina combinada contra hepatites A e B e encontrou respostas imunológicas não inferiores às observadas quando os produtos foram administrados separadamente.
A vacina recombinante herpes zóster também foi estudada junto às vacinas pneumocócica polissacarídica 23-valente e pneumocócica conjugada 13-valente em adultos com 50 anos ou mais. Nos estudos, a coadministração preservou a resposta imunológica esperada para as combinações avaliadas.
“É possível receber diferentes vacinas em uma mesma visita. Elas são aplicadas separadamente, muitas vezes em braços diferentes ou em pontos distintos do mesmo membro, respeitando a via e o local indicados para cada imunizante”, afirma Alberto Chebabo, infectologista no Bronstein e Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.
A principal atenção envolve vacinas vivas atenuadas. Elas podem ser aplicadas no mesmo dia, mas, quando duas vacinas desse grupo não são administradas simultaneamente, a regra geral é aguardar 28 dias.3 O intervalo está relacionado à possibilidade de interferência na resposta imunológica, e não à necessidade de o organismo “descansar”.
No Brasil, há uma orientação específica para crianças menores de 2 anos. Em situações de rotina, a vacina febre amarela e a tríplice viral ou tetraviral não devem ser administradas simultaneamente e recomenda-se intervalo mínimo de 30 dias entre elas. ⁷ Um ensaio randomizado brasileiro identificou possível interferência na resposta imunológica quando essas vacinas foram aplicadas no mesmo dia nessa faixa etária.
“Os intervalos existem porque algumas combinações podem interferir na resposta esperada, e não porque o organismo precise se recuperar de uma vacina para receber outra. Por isso, é importante seguir o esquema indicado para cada idade e condição de saúde”, afirma Maria Isabel.
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