Leitores recuperaram publicações de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse investigada por corrupção. Nas postagens, ela ataca o presidente Lula em 2020. O ex-presidente havia deixado a cadeia e atacou o jeito de Jair Bolsonaro governava.
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Karina Gama e Dark Horse
Karina Gama foi à CNN apresentar sua versão. A entrevista abriu mais perguntas do que fechou respostas. Primeiro, chamou de “censura” uma situação em que hoje não existe decisão judicial proibindo o lançamento do filme. Depois afirmou que Daniel Vorcaro “não deu nenhum centavo para a produtora”.
A frase é cuidadosamente construída: a investigação não depende necessariamente de um PIX de Vorcaro direto para a Go Up. O que está sob suspeita é justamente o caminho do dinheiro, fundos, intermediários e possíveis triangulações. E aí entra o Havengate.
Karina reconhece o fundo como financiador do projeto, enquanto valores atribuídos a Vorcaro enviados ao exterior entraram no radar dos investigadores. Sobre as emendas, outra resposta que parece feita sob medida: “Dark Horse não tem emenda”. A suspeita investigada não é de existir uma emenda parlamentar escrita “Filme do Bolsonaro”.
A PF apura se recursos destinados a entidades ligadas a Karina podem ter sido desviados e, por diferentes caminhos, alcançado empresas envolvidas na produção. Também apareceu novamente o relato de que ela teria sofrido pressão para implicar Flávio Bolsonaro. Esse relato foi registrado em cartório.
Isso comprova que Karina fez aquela declaração naquela data. Não transforma automaticamente o conteúdo da declaração em fato comprovado. Um dos citados, Fernando Sarney, nega a versão. E talvez seja esse o maior problema da entrevista: quanto mais tentam separar Vorcaro, emendas, campanha política e Dark Horse em caixinhas independentes, mais os documentos e a própria cronologia parecem obrigar todo mundo a olhar para o conjunto.
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