Um dos medos dos pais de crianças com idade escolar, o piolho voltou a aparecer em discussões nas redes sociais e, junto com o assunto, ressurgem dúvidas comuns. Como se pega? É sinal de falta de higiene? Adultos também estão sujeitos? O que fazer quando o problema parece resolvido, mas volta dias depois?

A pediculose, nome dado à infestação por piolhos, pode atingir pessoas de qualquer idade e não tem relação com falta de higiene. Segundo a pediatra Roberta Lengruber, coordenadora da UTI pediátrica do Hospital Brasiliense, da Hapvida, um dos principais problemas associados à infestação são as lesões provocadas pelo excesso de coceira.

“A pele deixa de ser íntegra porque já está inflamada, já está mais fina. A partir dessa condição, começam a surgir arranhados ou feridas na cabeça, e isso sim causa infecções até graves”, explica.

A rapidez com que o parasita se reproduz é outro problema. Cada fêmea pode colocar de sete a dez ovos por dia, popularmente conhecido como lêndeas, dando origem a novos piolhos em cerca de uma semana. Por isso, quanto antes a infestação for identificada e controlada, menor é a possibilidade de crescimento da população de parasitas.

Como cuidar?

O pente fino é um dos principais recursos nesse processo de combate ao piolho. A médica recomenda que ele seja utilizado com cuidado e, de preferência, em um modelo de metal, com os cabelos desembaraçados e o auxílio de creme para facilitar o deslizamento. Passar o pente com os fios embaraçados pode provocar dor, arrancar cabelos e até causar áreas de alopecia.

Para auxiliar na retirada das lêndeas, pode ser utilizado vinagre como apoio ao pente fino. Segundo a médica, sua ação ajuda a dissolver a substância que prende o ovo ao fio. A aplicação, porém, pode causar ardência se houver feridas no couro cabeludo e deve sempre ter orientação médica.

Outro cuidado importante é investigar quem teve contato próximo com a criança. Tratar apenas uma pessoa pode não ser suficiente para interromper o ciclo da infestação. “Se eu trato a cabeça do meu filho, ele volta para o colégio e encontra uma criança que está com piolho, ele tem grandes chances de pegar de novo”, afirma Roberta.

A especialista também faz alerta contra o uso de produtos por conta própria. Inseticidas, tinturas e outras substâncias podem provocar lesões e reações alérgicas, especialmente quando o couro cabeludo já está machucado pela coceira. O tratamento com medicamentos deve ser orientado por um profissional de saúde e considera fatores como idade e intensidade da infestação.

MITOS E VERDADES SOBRE PIOLHOS

Piolho é sinal de falta de higiene. MITO
A infestação não depende de o cabelo estar limpo ou sujo e pode atingir qualquer classe social.

Piolho voa ou pula de uma cabeça para outra. MITO
O parasita não possui asas nem pernas adaptadas para saltar. A transmissão ocorre pelo contato próximo e compartilhamento de objetos como bonés ou escovas.

Cortar o cabelo resolve a infestação. MITO
O corte pode facilitar a visualização e o manejo, mas não elimina os parasitas que permanecem na raiz dos fios.

Animais de estimação transmitem piolho humano. MITO
Os piolhos que infestam cães e gatos pertencem a espécies diferentes e não passam para seres humanos.

Produtos como inseticidas e tinturas são alternativas de tratamento. MITO
A aplicação sem orientação pode provocar intoxicação, alergias e lesões no couro cabeludo.

Adultos também podem pegar piolho. VERDADE
O parasita não escolhe idade. Adultos também podem ser infestados quando há contato.

Prender o cabelo ajuda a reduzir o risco de transmissão. VERDADE
Cabelos longos e soltos têm maior possibilidade de entrar em contato com a cabeça de outra pessoa.

O pente fino continua importante mesmo com tratamento. VERDADE
A retirada mecânica ajuda a eliminar as lêndeas que permanecem presas aos fios.

O vinagre pode ajudar a remover as lêndeas. VERDADE
Ele pode dissolver a substância que prende os ovos aos fios, facilitando a ação do pente fino.