Polilaminina: entenda o que é, como funciona e o que ainda precisa ser comprovado

Especialista do CEUB explica estágio das pesquisas sobre a substância, critérios da Anvisa e a proteção internacional da tecnologia

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A polilaminina, molécula experimental estudada como estratégia para estimular a regeneração do sistema nervoso central, ganhou repercussão nacional após pacientes relatarem possível melhora clínica, retorno de sensibilidade e movimentos voluntários semanas após a aplicação. A advogada e bióloga especialista em Fisiologia Humana e Bioquímica e professora de Biomedicina e Enfermagem do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Lélia Leoi Romeiro, explica que a regeneração do sistema nervoso central é um dos maiores desafios da medicina, já que há poucas alternativas terapêuticas eficazes para pessoas com lesões medulares.

Os estudos com a substância são desenvolvidos no Brasil e estão em fase de avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a especialista, embora o potencial científico seja relevante, a análise precisa seguir critérios técnicos rigorosos. “A polilaminina é promissora porque tenta reproduzir, de forma organizada, o ambiente necessário para que as células nervosas voltem a crescer. No entanto, segurança e eficácia precisam ser confirmadas em estudos clínicos amplos e controlados”, afirma.

Confira 6 curiosidades sobre a substância:

O que é a polilaminina?

A polilaminina é derivada da laminina, proteína presente no organismo que ajuda na sustentação e organização dos tecidos. A proposta da pesquisa é utilizá-la como um “andaime biológico”, oferecendo suporte para os neurônios lesionados voltarem a crescer e restabelecer conexões. “A regeneração neural é extremamente complexa. Qualquer molécula que demonstre potencial em estimular a reconexão de neurônios ou a recuperação funcional já possui relevância científica imediata”, explica a professora do CEUB.

Por que o tema chama tanta atenção?

Do ponto de vista biomédico, a possibilidade de regenerar fibras nervosas danificadas representa um avanço significativo. Isso porque, como explica Lélia Romeiro, lesões medulares e danos neurológicos impactam profundamente a qualidade de vida e são uma área ainda dispõem de recursos terapêuticos limitados. “Estudos iniciais indicam que a substância pode favorecer o crescimento neuronal. No entanto, resultados preliminares, especialmente relatos individuais, não são suficientes para comprovar eficácia clínica definitiva”, alerta.

O que ainda precisa ser comprovado?

Para que um medicamento seja aprovado no Brasil, a Anvisa exige documentação técnica detalhada, dados estatísticos robustos e comprovação de boas práticas de fabricação e biossegurança. “Até que essas etapas sejam concluídas e analisadas por especialistas independentes, a polilaminina segue como uma substância em investigação”.

A bióloga do CEUB revela que o caminho entre resultados promissores em laboratório e a aplicação clínica é longo. “Muitas moléculas apresentam excelente desempenho em modelos experimentais, mas podem enfrentar dificuldades quando testadas em humanos. Em alguns casos, a eficácia observada inicialmente não se confirma; em outros, surgem efeitos adversos inesperados”, explica.

Expectativa e responsabilidade

A repercussão nas redes sociais ampliou a expectativa de pacientes e familiares. Especialistas, no entanto, alertam para a importância de manter a responsabilidade científica. “Criar expectativa é natural quando falamos de algo que pode impactar profundamente a qualidade de vida. Mas a ciência exige etapas rigorosas e nem todo candidato a medicamento chega ao registro final”, esclarece a professora.

A questão da patente

Outro ponto envolve a proteção internacional da tecnologia. No Brasil, o registro de patentes é um direito obtido por meio de um processo administrativo jurídico, conduzido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Como a validade é territorial, é necessário manter a proteção em cada país estratégico. Sem ela, a tecnologia pode cair em domínio público no exterior, permitindo exploração comercial sem pagamento de royalties. “A patente não é apenas um instrumento econômico. Ela impulsiona o desenvolvimento científico e pode garantir retorno financeiro para novas pesquisas”, explica Lélia.

Ciência em andamento

Independentemente do desfecho clínico, a pesquisa já contribui para o fortalecimento da ciência brasileira, ampliando o debate sobre terapias regenerativas e estimulando novos estudos. A polilaminina, neste momento, não representa uma solução definitiva, mas uma possibilidade científica em construção. “Na saúde, só se torna consenso aquilo que é comprovado com segurança e resultados consistentes. Enquanto os estudos avançam, a orientação é acompanhar o tema com interesse e cautela”, destaca a bióloga do CEUB.

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